10/12/17

Extático isostático

Conteúdo programático
Que te conduz a um desvio latente
Da rota traçada a tracejado
Porque repetes os temas e os semas
E não sabes mascarar a tua astúcia
Para destituir poemas, diluis em paradas sucessivas
As peças que colhes ao vazio. E nem te ocorre
Que as podes devolver ao fundo do desvio
Varias uma e outra vez. Nozes pétalas
E ombros encolhidos em porquês
Escritos em bom português avariado
Como as doenças que desdobras
em apólices e licenças sem vencimento
livros de cordel sublinhados
a destacado.

10/11/17

Gazeta

Sei até para onde me
baste de tilintar

as iguanas igualadas
a sardões até onde julgues rabiar

É certo e sabido que o
Mamadu não terá mais tino que tu

Tal como a ronda do café
Chega de pressa ao correio.

Pelo meio nenhuma surpresa
Somente um corte de cabeça.

10/10/17

sons de baleias

em cataratas artificias
chapéus de plástico
cobrindo as neblinas
matinais, com fleuma...

dando um descanso à sua a criança citadina:
pode doar para o fundo protector do ar fresco

refresque-se numa cadeira de aeroporto
como se o assento seguinte fosse mais
a seu gosto, e vá dando indicações precisas
sobre as luzes ao fundo
situadas a alguns quilómetros dos seus pés

cave a melodia com molho agridoce
e decante tudo com uma chuva miudinha
que não mata mas mói.

10/09/17

PUT YOUR FINGER

In the wrong line
Liga a ficha e destapa a ferida
Toma a tomada como redoma
A vida é pré meditante
Como se da razão se desviasse
a todo o custo
À custa da tarifa sacrificante
Como se ela transviasse qualquer
investidura. Um circunflexo desabado
na perdição.
Oxalá a têmpora fosse escapulir-se
em devotas fissuras de luz.
Partes e a que voz a semente
te reduz.
Please, insert the coin.

10/08/17

COREMOS IRMÃOS

Estou situado no mar enlameado
Do resto da minha vida, faço e
desfaço e esgaço como um comum
acto de corriqueira divagação no
sargaço

Peremptória ruptura da fúria e da
grua de tremenda grossura girando
os seus cabos em movimentos
alternados

Ora adiantados ora segregados
que vens roubando em temporal
desassossego as algas prendem-me
ás ondas as rochas racham-me
o peito dos pés.

E tu já não és bem aquilo que és.
Uma latitude indistinta alonga-te na
incerteza, e a face quadrada já não
escandia a tua mais que absoluta
beleza baldia.

10/07/17

Quando a noite cai desgarrada
Que nem um sopro imprevisto
O arranhão dos dias é
Uma espada incendiária
Com um cisco dourado
Apontando em direção
ao negrume suspenso no orvalho
Tu que me olhas...
Ser vivo alucinado.

10/06/17

Matilde e Zé numa cabana em Malibu

De sombras envoltos em peles e sopros
ligaduras em fel de espátula
retaliando fugas rupestres

Que sorvo deste quando banho tomas
destituis a raça diluis a farsa na água
e na moradia esparsa acorres ao pescoço

como de latitudes diversas fossem
emparelhando os sonhos, em riste
na areia quente triste rubor

aterrar na medalha como um campeão
bailando ao som da fúria, como o contratempo
de ir nu contra a corrente correndo.

10/05/17

mambo sapo seco

os ecos secos dos dias
tente chutar na escuridão

as placas frias
do  tempo sentando-se
no meu peito

como um sapo venenoso
passando a língua na mosca
acelerando a respiração

forçando-a a deglutir
o que não tem...
um perfume efetivo

a vinagre balsâmico

10/04/17

fantasma na CONCHA

Com clave na mão

Temer ou não, por paninhos quentes

o dom da metástase

em ritos mais que ardentes

exumas a perna a vela

atiras o morto encorpo

travas a tarde no sopro

desfaleces sôfrego

incrustado num casulo

suprimindo teras e megas

de dados imaculados

desfilas na rua

com medo de ser pisado

aniquilas a farsa

de que fazes parte, conservas

enredado, os sucos letais

envoltos na concha

os efeitos especiais.

10/03/17

de VER des VIRAR

deriva devia
desvia desvira
derivas desvias
desviras derivadas
derivante desvirada
derivantes desviadas
desviantes desviradas