10/02/18

Get Real

Take me as what it takes
To be irrealista
Numa marcha anti-sexista
Violinista calvinista
calmante ou chacina

Preguiça ou surrealista
Com nervura de bovino
Supositório purista
Amálgama visceral
Stand up baby...
Torna-te mais real

Preenche o vazio com espaços
De um teclado virtual
Canta alva ganha voz
Onde está o albatroz?




10/01/18

ORA COMO

Como se todas as linhas
derivassem da mesma esfera.
Em nome da Lua castigadas

Como as súbitas dilatações da papila
gustativa ao interagir com o gengibre
Se traem num doce se retraem num amargo

Ora discípulas ora funestas
contorcendo-se ao descer por entre
a tua clavícula internamente

Entornadas como todas as coisas
num copo meio cheio de um
sistema meio vazio.

10/12/17

Extático isostático

Conteúdo programático
Que te conduz a um desvio latente
Da rota traçada a tracejado
Porque repetes os temas e os semas
E não sabes mascarar a tua astúcia
Para destituir poemas, diluis em paradas sucessivas
As peças que colhes ao vazio. E nem te ocorre
Que as podes devolver ao fundo do desvio
Varias uma e outra vez. Nozes pétalas
E ombros encolhidos em porquês
Escritos em bom português avariado
Como as doenças que desdobras
em apólices e licenças sem vencimento
livros de cordel sublinhados
a destacado.

10/11/17

Gazeta

Sei até para onde me
baste de tilintar

as iguanas igualadas
a sardões até onde julgues rabiar

É certo e sabido que o
Mamadu não terá mais tino que tu

Tal como a ronda do café
Chega de pressa ao correio.

Pelo meio nenhuma surpresa
Somente um corte de cabeça.

10/10/17

sons de baleias

em cataratas artificias
chapéus de plástico
cobrindo as neblinas
matinais, com fleuma...

dando um descanso à sua a criança citadina:
pode doar para o fundo protector do ar fresco

refresque-se numa cadeira de aeroporto
como se o assento seguinte fosse mais
a seu gosto, e vá dando indicações precisas
sobre as luzes ao fundo
situadas a alguns quilómetros dos seus pés

cave a melodia com molho agridoce
e decante tudo com uma chuva miudinha
que não mata mas mói.

10/09/17

PUT YOUR FINGER

In the wrong line
Liga a ficha e destapa a ferida
Toma a tomada como redoma
A vida é pré meditante
Como se da razão se desviasse
a todo o custo
À custa da tarifa sacrificante
Como se ela transviasse qualquer
investidura. Um circunflexo desabado
na perdição.
Oxalá a têmpora fosse escapulir-se
em devotas fissuras de luz.
Partes e a que voz a semente
te reduz.
Please, insert the coin.

10/08/17

COREMOS IRMÃOS

Estou situado no mar enlameado
Do resto da minha vida, faço e
desfaço e esgaço como um comum
acto de corriqueira divagação no
sargaço

Peremptória ruptura da fúria e da
grua de tremenda grossura girando
os seus cabos em movimentos
alternados

Ora adiantados ora segregados
que vens roubando em temporal
desassossego as algas prendem-me
ás ondas as rochas racham-me
o peito dos pés.

E tu já não és bem aquilo que és.
Uma latitude indistinta alonga-te na
incerteza, e a face quadrada já não
escandia a tua mais que absoluta
beleza baldia.

10/07/17

Quando a noite cai desgarrada
Que nem um sopro imprevisto
O arranhão dos dias é
Uma espada incendiária
Com um cisco dourado
Apontando em direção
ao negrume suspenso no orvalho
Tu que me olhas...
Ser vivo alucinado.

10/06/17

Matilde e Zé numa cabana em Malibu

De sombras envoltos em peles e sopros
ligaduras em fel de espátula
retaliando fugas rupestres

Que sorvo deste quando banho tomas
destituis a raça diluis a farsa na água
e na moradia esparsa acorres ao pescoço

como de latitudes diversas fossem
emparelhando os sonhos, em riste
na areia quente triste rubor

aterrar na medalha como um campeão
bailando ao som da fúria, como o contratempo
de ir nu contra a corrente correndo.

10/05/17

mambo sapo seco

os ecos secos dos dias
tente chutar na escuridão

as placas frias
do  tempo sentando-se
no meu peito

como um sapo venenoso
passando a língua na mosca
acelerando a respiração

forçando-a a deglutir
o que não tem...
um perfume efetivo

a vinagre balsâmico