10/06/17

Matilde e Zé numa cabana em Malibu

De sombras envoltos em peles e sopros
ligaduras em fel de espátula
retaliando fugas rupestres

Que sorvo deste quando banho tomas
destituis a raça diluis a farsa na água
e na moradia esparsa acorres ao pescoço

como de latitudes diversas fossem
emparelhando os sonhos, em riste
na areia quente triste rubor

aterrar na medalha como um campeão
bailando ao som da fúria, como o contratempo
de ir nu contra a corrente correndo.

10/05/17

mambo sapo seco

os ecos secos dos dias
tente chutar na escuridão

as placas frias
do  tempo sentando-se
no meu peito

como um sapo venenoso
passando a língua na mosca
acelerando a respiração

forçando-a a deglutir
o que não tem...
um perfume efetivo

a vinagre balsâmico

10/04/17

fantasma na CONCHA

Com clave na mão

Temer ou não, por paninhos quentes

o dom da metástase

em ritos mais que ardentes

exumas a perna a vela

atiras o morto encorpo

travas a tarde no sopro

desfaleces sôfrego

incrustado num casulo

suprimindo teras e megas

de dados imaculados

desfilas na rua

com medo de ser pisado

aniquilas a farsa

de que fazes parte, conservas

enredado, os sucos letais

envoltos na concha

os efeitos especiais.

10/03/17

de VER des VIRAR

deriva devia
desvia desvira
derivas desvias
desviras derivadas
derivante desvirada
derivantes desviadas
desviantes desviradas

10/02/17

elipses

Estava observando
o pedregulho
Quando escorreguei
na lama
O gato miando
Sofregamente a brisa
arrastando uma folha
seca pelo ar.
As tiras tristes
regurgitando para dentro
dos caules. Uma, duas, três
vezes. Esse seco movimento.

10/01/17

RE TOQUE

Repense Repise Repasse
Represe Recite Regasse
Recorte Refluxo Repoise
Recente Receie Ressente
Recibo Repuxo Retido
Refém Refrão Refeito
Retome Retoque Reprove

10/12/16

ajudar-te conversar contigo
ufa
custou assim tanto
eu sou muito tolerante
e poucas coisas me surpreendem eu sou vivo num limbo
boa noite
e obrigado por me aturares
sou muito dramático.
queria estar a teu lado e dar-te um abraço fraterno
ficaste sem palavras?

10/11/16

A REALIDADE É

mal-entendida
multi-arreliada
bem-defendida
pluri-descarrilada


Às 04:10 parado em Soure. Uma terra que nunca ouvi falar.
There is always a smell in Lisbon. Gradient loop.
U diverge and emerge.
Como se subsistir à aniquilação dos dias:
Ouça, pare e escute. Talvez não nesta ordem. Mas sempre da mesma maneira.
Fosse uma e outra história combinatória. Contra a Vitória.
I just don't know what're talking about. Estava ouvindo um ruído. Mudo.
Persigo. Em dom de sinapses e frases.
A conduta sorrateira do meu arqui-inimigo.

10/10/16

VIOLÊNCIA FRÁGIL

Quando tremem as pedras de ansiedade
Porque o nexo não faz sentido
E as peças são só palavras. O verso um ruído. Um poema a sobriedade.
De estilhaçar o vidro. As imagens são sempre as mesmas. As colunas repetidas,
as linhas ofendidas. Que narrativa cheira a vinagre...
Quando não há linhagem correspondente à tua saudade.
Lotadas de fissuras as dobradiças da janela riem-se, de ti. E de ti troçam
os leques anti-nódoas rebocados ao esplendor
Que línguas em transe sibilantes, secam a ferida feroz.
Violência frágil moinho sem nó.
Perder por um fio o lume da tua fogueira.

10/09/16

Onde houver dia

Haverá vida.
Sair de casa: (Como quem chama por mim)

Sentar no centro da eira
Esperando a evasão estreita
Da corrente seita de bombos
Logros e assombros Mal despedidos

Corta-e-roça. Alista-te com pressa
afinco e zinco e raspa-te no trevo da sorte
Que te tape o sul para descobrires o norte.
Prega então aos teus refugiados ensejos.